Quando comecei a organizar a Hora de Ideias, muitas coisas ainda existiam apenas como possibilidades.
Havia uma impressora que eu já tinha em casa, uma lista de materiais que parecia crescer a cada nova descoberta, algumas ideias anotadas e aquela vontade de transformar criatividade em algo concreto.
Vieram as primeiras compras. Depois, os primeiros testes.
Testei papéis, impressão, plastificação, cortes e formatos. Algumas coisas funcionaram de primeira. Outras precisaram ser refeitas — às vezes mais de uma vez.
Aos poucos, porém, aquilo que estava espalhado sobre a mesa começou a ganhar forma de produto.
E recentemente dei mais um passo importante nessa experiência: publiquei o primeiro produto da Hora de Ideias no Mercado Livre.
O produto mudou enquanto eu o criava
Uma coisa que estou aprendendo nesse processo é que a primeira ideia não precisa ser a versão definitiva.
Meu projeto inicial era bastante simples: produzir um livrinho infantil para colorir acompanhado de uma pequena caixa de lápis de cor.
O primeiro tema escolhido foi Amigos de Quatro Patas, com 30 ilustrações para colorir.
Comecei a fazer os testes de impressão, pensar na capa, no tipo de papel, na montagem e na apresentação.
Mas, enquanto trabalhava no produto, surgiu outra ideia: criar uma lousa reutilizável para brincadeiras.
De um lado, Jogo da Forca.
Do outro, Jogo da Velha.
Uma caneta apagável completaria a brincadeira.
Foi então que percebi que aqueles elementos poderiam formar algo mais interessante juntos.
Em vez de vender apenas o livrinho com os lápis, resolvi montar um Kit Criativo Dia das Crianças, reunindo:
- 1 livro de colorir com 30 ilustrações;
- 1 caixa com 12 lápis de cor;
- 1 lousa reutilizável dupla face, com Jogo da Forca e Jogo da Velha;
- 1 caneta apagável.
O produto que chegou ao anúncio, portanto, não foi exatamente aquele que eu havia imaginado no início.
E talvez essa seja uma das primeiras lições desta etapa: criar também é testar, observar e permitir que a ideia evolua.
Depois de criar, veio uma pergunta difícil: quanto cobrar?
Produzir alguma coisa e gostar do resultado é uma etapa.
Descobrir por quanto vendê-la é outra bem diferente.
No artigo anterior, contei que comecei a colocar os custos na ponta do lápis. Papel, plastificação, lápis, caneta, tinta, embalagem… tudo precisa entrar na conta.
Quando comecei a preparar o anúncio para venda pela internet, percebi que havia outra parte importante dessa conta: os custos envolvidos na utilização da plataforma de venda.
Até então, eu estava olhando principalmente para aquilo que conseguia ver sobre a minha mesa: papel, tinta, lápis, embalagem…
Agora precisava considerar também o que acontece depois que o produto entra na plataforma.
Foi mais uma etapa de aprendizado.
O preço anunciado não é o valor líquido da venda
Decidi lançar o primeiro kit por R$ 29,90.
Ao configurar o anúncio, escolhi a modalidade Clássico e acompanhei a estimativa apresentada pela própria plataforma para aquela venda.
Naquele momento, a simulação ficou assim:
| Item | Valor |
|---|---|
| Preço anunciado | R$ 29,90 |
| Tarifa de venda | – R$ 3,44 |
| Custo de envio atribuído ao vendedor | – R$ 6,95 |
| Valor estimado a receber | R$ 19,51 |
Foi interessante visualizar esses números juntos.
O preço anunciado é R$ 29,90, mas o valor estimado a receber naquela condição de venda era R$ 19,51.
E existe ainda uma etapa seguinte: descontar os meus próprios custos de produção.
Papel, tinta, plastificação, lápis, caneta, embalagem e, futuramente, outros custos que eu ainda estou aprendendo a mensurar melhor.
Foi nesse momento que ficou muito mais clara para mim a diferença entre preço de venda, valor líquido recebido e resultado da venda.
São coisas diferentes.
Importante: os valores apresentados neste relato correspondem à simulação exibida pela plataforma para o meu anúncio no momento da publicação. Tarifas, condições e custos de envio podem variar conforme o produto, o tipo de anúncio e as regras vigentes da plataforma.
O frete também entrou no meu aprendizado
Esse foi outro ponto interessante da experiência.
Durante a configuração do anúncio, escolhi não oferecer frete grátis por minha conta. Ainda assim, a simulação indicava um valor relacionado ao envio que seria descontado do que eu receberia.
Quando fui visualizar a página do produto como cliente, encontrei outra situação: naquela consulta, a plataforma apresentava entrega grátis para o comprador.
Foi aí que percebi que a logística de uma venda em marketplace envolve condições que vão além de simplesmente decidir se “vou cobrar ou não vou cobrar frete”.
Existem regras, benefícios e condições estabelecidos pela própria plataforma, que podem variar.
Para quem está começando, como eu, isso significa uma coisa: é preciso olhar a simulação completa antes de definir o preço de um produto.
Mais uma anotação para a minha lista de aprendizados.
Preparar um anúncio também faz parte de criar o produto
Eu imaginava que, depois de terminar o kit, bastaria fotografá-lo, colocar um preço e publicar.
Não foi exatamente assim.
Foi preciso escolher categoria, preencher características, informar quantidade disponível, definir condições de venda, escrever a descrição, organizar as imagens e conferir uma série de informações.
Também precisei pensar no produto pela perspectiva de quem nunca o viu pessoalmente.
Será que a fotografia mostra tudo o que acompanha o kit?
A pessoa consegue perceber que a lousa possui dois lados?
Fica claro que o livrinho possui 30 ilustrações?
Os lápis aparecem?
A caneta está visível?
Essas perguntas me fizeram perceber que a apresentação também faz parte do produto quando vendemos pela internet.
O cliente não pode pegar o kit, abrir o livrinho ou tocar na lousa.
As imagens e a descrição precisam fazer esse trabalho.
E então apareceu: “Você criou o anúncio”
Depois de preencher e revisar tudo, finalmente cliquei no botão para anunciar.
A tela seguinte mostrou:
“Pronto! Você criou o anúncio.”
Pode parecer apenas uma mensagem automática de um site.
Para mim, não foi.
Até aquele momento, a Hora de Ideias estava crescendo principalmente dentro de casa: nos materiais comprados, nos testes de impressão, nos arquivos criados, nos papéis cortados e nas ideias que iam surgindo.
Agora havia um produto publicado.
Fui ver como o cliente enxergaria
Claro que, depois de publicar, eu precisava abrir o anúncio.
Queria ver exatamente o que outra pessoa encontraria.
E lá estava ele:
Kit Criativo Dia das Crianças Livro de Colorir + Lousa
R$ 29,90
A fotografia mostrava o conjunto. O estoque indicava cinco unidades disponíveis.
Foi uma sensação diferente.
Porque aquela imagem não estava mais aberta apenas no meu computador enquanto eu trabalhava nela.
Era uma página de produto.
Cinco unidades. E está ótimo assim.
Decidi começar com cinco kits disponíveis.
Para uma grande loja, isso certamente seria muito pouco.
Para mim, neste momento, é exatamente o que faz sentido.
Estou começando pequeno de propósito.
Não quero produzir dezenas de unidades antes de saber como será a resposta das pessoas. Prefiro produzir pouco, observar e aprender.
As primeiras vendas — quando acontecerem — poderão responder perguntas que nenhuma planilha consegue antecipar completamente.
As imagens despertam interesse?
O preço está adequado?
A proposta do kit ficou clara?
A embalagem funciona bem para o envio?
Quanto tempo realmente levo para preparar cada unidade?
Quanto sobra depois de todos os custos?
E existe também outra possibilidade que preciso estar preparada para observar: talvez o produto não venda como imaginei.
Nesse caso, isso também será uma informação.
Posso rever imagens, preço, composição, apresentação ou até o próprio produto.
Ainda tenho muito para aprender
Publicar meu primeiro anúncio não significa que aprendi a vender pela internet.
Significa que agora comecei a aprender vendendo — ou tentando vender.
Essa diferença é importante.
Até aqui, muitas decisões foram baseadas em planejamento, pesquisa e testes.
A partir de agora, começam a aparecer informações do mundo real: visualizações, interesse, perguntas, vendas e comportamento dos compradores.
Quero continuar registrando essas descobertas aqui.
Inclusive os erros.
Porque a proposta deste blog nunca foi mostrar uma empresa pronta.
É mostrar uma ideia sendo transformada em negócio, passo a passo.
Da ideia para a vitrine
Há pouco tempo, eu estava olhando para o que já tinha em casa e tentando descobrir se seria possível começar.
Depois fiz minha primeira lista de compras.
Os materiais chegaram.
Comecei a produzir.
Vieram os primeiros testes.
Comecei a calcular custos.
E agora um dos produtos chegou à vitrine.
Ver o anúncio publicado teve um significado diferente.
Não era mais uma ideia salva no computador.
Não era apenas um teste de impressão sobre a mesa.
Pela primeira vez, alguém que eu não conheço poderia encontrar algo criado por mim, olhar as imagens, colocar no carrinho e comprar.
Ainda não sei qual será o resultado desse primeiro anúncio.
E talvez essa seja justamente a parte mais interessante de registrar tudo enquanto acontece.
A Hora de Ideias começou como uma ideia. Depois, as ideias começaram a virar produtos. Agora, pela primeira vez, um desses produtos está oficialmente à venda.
Vamos ver o que acontece a partir daqui.
Criar • Aprender • Encantar.

